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domingo, 12 de junho de 2011


Minha filha não esta aprendendo nada!

Nas aulas de ciências, minha filha não esta aprendendo nada.
O professor pede que eles se juntem em grupos e com o auxilio do livro didático eles responda a apostila que é a proposta enviada pelo estado já que a escola é publica.
O professor de ciências sempre esta na sala passando os comandos para nortear a aula e, além disso, veio com um papo de fazer bolsas de calça jeans “ Remanufatura de Jeans” onde minha filha e eu chegamos a confeccionar uma que ela usa valeu pontos como atividade extra classe. Mas o professor não passa nada para ela copiar no caderno.
Ela apenas lê o livro, a apostila e responde e quando não sabem procuram no dicionário.
O professor fica apenas comandando a sala sem fazer nada e os alunos é quem tem que se virar para encontrar as respostas e quando elas não são satisfatórias ele lê novamente a pergunta e pede que busquem responder de forma simples para que ele ao menos saiba qual a duvida ou o caminho escolhido para responder.
Seus alunos ficam a aula toda fazendo somente a apostila utilizando o livro e o dicionário como pode?
Ele não trabalha!
Dias atrás, inventou uma visita ao planetário e minha filha foi ela passeou no parque do Ibirapuera em São Paulo e o professor ficou lá passeando pelo parque.
Minha filha não esta aprendendo nada!
Só confeccionar bolsas com remanufatura de calça jeans, coisas sobre planetas, reunir em grupos para utilizar o livro didático e dicionário a responder as perguntas de sua apostila de forma autônoma a interagir em grupo na busca de soluções.
A sala fica concentrada e os alunos conversam entre eles brincam, mas estão realizando suas atividades.
Minha filha não tem lição no caderno como pode?
Esse professor não tem responsabilidade!
Fazer bolsas e passear não é aula é preciso que falem com esse professor sou mãe sei o que é melhor para a educação de minha filha responder a apostila é muito pouco sei que ela não terminou ainda mais é muito pouco. Esse professor será que sabe o que esta fazendo?
A escola deve tomar uma atitude.
Agora diz que vai usar o laboratório veja que coisa minha filha não sabe nada e ainda vai para o laboratório vão brincar lá, pois é grande e tem muitas coisas que irão dispersar os alunos.
Sou mãe e quero que minha filha tenha coisas escritas no caderno uma cópia do livro algo assim.
Vou denunciar por escrito aos órgãos competentes, pois sou assistente escolar e quando estudei copiava muitas coisas no caderno.
Sei do que estou falando.
Esse professor não ensina.
Ele brinca com ciências.


Helio Ramos de Oliveira

Eu gostaria de ter recebido um bônus, estaria feliz e muito realizado. Acreditaria que a educação esta no caminho certo.
Queria eu, ter sido bonificado!
Com o respeito dos pais e alunos quanto ao meu trabalho e que os mesmos estivessem frequentemente na escola dividindo as responsabilidades.
Saber que meu local de trabalho é único e minha dedicação ao oficio que escolhi é nobre e essencial. Estaria contente em ter um objetivo claro, traçar metas e poder alcança-las, como todos os outros profissionais de outras áreas.
Sabe!
Assistir na TV um CASE de sucesso na área de educação e me enquadrar, sentir-me parte de tudo isso, ler Perrenoud, Vigotsky entre outros. Sem imaginar que isso não faz parte do meu mundo real.
Nossa como eu queria!
É...
Não recebi o bônus, pois minha escola não atingiu as metas do IDESP (METAS eu não consigo atingir!)
Por quê?...
Faço tantas coisas além de ministrar minhas aulas e não consigo atingir as metas pré-estabelecidas, mais mesmo assim venho com orgulho me posicionar frente aos alunos para dizer-lhes que é possível alcançar os objetivos traçados por eles mesmos.
Alcançar os objetivos individuais...
Muitos nem tiveram a chance de ter uma única oportunidade foram tratados com tanto descaso, sem a presença dos pais que estavam ocupados ou até ausentes, de seus professores que estiveram afastados por doenças psicossomáticas ou pelo fato de estarem desmotivados e ainda por apenas ocupar o cargo sem nenhum compromisso, sem prestigio, sem oportunidade de melhorias, sem as mínimas condições de atender as necessidades da sociedade.
Muitos professores estão debilitados e impossibilitados de recorrer ao médico.
Os gestores entenderam que a ausência médica é uma forma de abandonar a sala de aula.
Pergunta.
O que pode fazer um professor doente em sala de aula?
Como é possível, isso ser verdade quando o ofício de professor é escolhido com tanto amor e dedicação.
O aluno que opta pela licenciatura sempre imagina-se com o poder  ”Queremos mudar o mundo e tornar melhor as pessoas e o mundo em que vivemos” eles tem esse poder mais ao longo dos anos foram tirados com os desmandos e descaso com esse profissional tão necessário e o mais punido entre todos.
Hoje nas escolas, tudo acontece é um território onde as leis se misturam com a impunidade, desrespeito e ilícitos se tornam tão normais que sempre a própria justiça, que é cega e deveria enxergar no escuro toma partido de um colocando uma instituição em colapso.
Magistrados, magistério ensina e avalia.
Um conflito ou simplesmente dubiedade?

Helio Ramos de Oliveira

As obrigações e os direitos são bem claras perante a lei, mas nas escolas onde se ensina e aprende, é tão tênue essa linha, que atos ilícitos por serem tão frequentes se confundem com as legalidades e com a passividade do ser humano.
Somos passíveis e nos influenciamos causando uma desorientação a ponto de sofrer um bullying institucional.
Ou seja, estigmas de impotência nas tomadas de decisão.
“não vai acontecer nada”, “meus pais estão trabalhando não pode vir” entre tantas outras justificativas que imobiliza as ações.
Pergunta-se:
A obrigação dos pais matricularem seus filhos na escola não é apenas um direito do cidadão mais uma responsabilidade civil passivo de penalidades e assim se dizendo os alunos também tem o direito à escola publica mais o dever de respeitar as regras a estabelecidas são primeiras em se tratando de um órgão publico que segue os preceitos de estatutos e leis federais, estaduais e municipais é claro que os deveres e responsabilidades devem ser cumpridos de forma democrática e por ser assim nunca de forma banalizada que deixe os agentes agredidos sem ações.
Ex. Um aluno colocado de volta nos bancos escolares após agressão aos outros por se entender que o problema é de socialização. Como pode ser aceito pela sociedade que o ônus do estado seja depositado sobre a escola por ser pratico e se entender que a obrigação de educar é do professor e assim colocar em risco a integridade dos demais e do próprio professor.
Qual foi a solução?
Quem se beneficiou?
Assim é nossa escola um abrigo sem nenhum interesse social
Um lugar para que as obrigações estejam sendo cumpridas e seja o que for que acontecer haverá um culpado.
O professor isso se não for ele a vitima.

Helio Ramos de Oliveira

sábado, 11 de junho de 2011


Fui bonificado em saber que alunos aplicados, tiveram que ficar um pouco atrasados, pois seus pares não possuíam as condições mínimas para acompanhar o rendimento da sala e que os pais, já tenha cumprido sua obrigação em matricular e nunca mais estiveram presentes na escola nem mesmo nas reuniões de pais e mestres.
Meu bônus foi ir à atribuição de aulas, e perceber que o numero de professores diminuiu, pois a carreira do magistério é tão desprestigiada e perigosa que os jovens não possuam nenhum interesse por ela.
Uma professora em uma audiência publica no Rio Grande do Norte conseguiu de forma simples calar os que deveriam estar atentos a isso, mas que se omitem jogando o problema para outros “juízes, promotores, ministros, deputados, vereadores, presidentes, governadores, prefeitos e seus secretários” ela foi grande orgulhando a categoria mas, já acabou!
Passou!
Não se fala mais.
Não recebi meu bônus, não conseguimos atingir as metas do IDESP.
Mas os alunos driblaram a ausência de professores, aprenderam a buscar, pesquisar sobre as coisas realizar trabalhos e projetos.
Estivemos sempre juntos.
Acreditamos e fomos a busca do saber e eles foram excelentes, ótimos, eficientes e perseverantes mesmo sem a tranquilidade e oportunidade de aprender.
Nesse ano mudei de escola e encontrei novos alunos que também sofrem com as mesmas dificuldades.
Sabe!
Parece que de nada mudou os problemas são institucionalizados por falta de ações eficientes e do próprio cumprimento das leis já existentes. Nessa nova escola percebi que não tem água mesmo tendo uma enorme caixa d’água e que a diretora já buscou soluções através dos caminhos legais mas, faz 05 meses que nada acontece. (estamos tendo aulas a 5 meses sem água e sem higiene mais temos que cumprir os dias letivos e atender as demandas a falta de água é um mero detalhe) ANVISA: Resolução ANVISA RDC nº 216/2004 – MANIPULAÇÃO DE ALIMENTO
Nada foi feito departamento a quem compete resolver, mas a escola esta um caos por falta de condições mínimas de higiene e pergunta-se:
Como pode o aluno aprender sobre saúde e saneamento nessas condições?
Eles me cumprimentam nos corredores, escadas, nas ruas em todos os lugares e eu como professor de ciências. Observo e me omito.
Esse é o ônus de ser professor e acatar ao sistema banalizado
Por esses dias fui visitar a escola em que eu lecionava.
Foi muito salutar para mim, pois formou-se um alvoroço, gritos, abraços saudosos, lágrimas e emoções. Isso porque não atingimos o IDESP, mas no quesito superação fomos os melhores, mesmo com todas as adversidades muitos alunos sem nem ao menos a base familiar conseguiram resolver problemas.
A comunidade é carente minha função de educar, fui além... Protegi e acalentei alguns que só tiveram a chance de nascer e hoje vejo seu sorriso por ter conseguido mudar suas atitudes buscando seus caminhos de forma saudável um abraço professor.
 Essa foi minha real bonificação.
Um bônus dado por quem realmente se importa e para sempre na vida de cada um dos alunos que acreditaram que é possível mesmo que os índices do IDESP digam o contrario.
A superação dessas crianças e jovens não são possíveis de mensurar e nunca seria apropriado para indexar um valor de pecúlio a ser dado para esse ou aquele professor ou escola.
Aos gestores burocratas que sempre tem uma porta para sua fuga nas tomadas de decisão.
Meu bônus foi ter vivido tantas realidades e no final de tudo ver em um gráfico frio um estigma na vida de pessoas de uma periferia pobre que nada tem com a realidade que ali existe.
 A força e a vontade de vencer e realizar os sonhos mesmo que só eles acreditem que é possível, pois se depender dos governantes essa prioridade não existirá de fato.
Qual mesmo a necessidade de matricular-se numa escola, frequentar assiduamente?
Depois qual o caminha você pode seguir?
Sem bônus e sem as condições necessárias para que se faça um bom trabalho e tenha-se um bom rendimento.
Esse é o ônus.
Qual será o bônus?


Helio Ramos de Oliveira